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terça-feira, 4 de maio de 2010

Como envergonhar um país

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Comece desprezando a prata da casa. Tudo o que se faz aqui dentro não presta e ponto final. Nada de argumentação técnica, pesquisa ou mesmo ouvir conselhos de quem entende do assunto, não presta e pronto.
Quando for encomendar um carro de representação, esqueça que a indústria genuinamente nacional pode providenciar um do jeito que se quiser, vá directo para um importado sem dar satisfações. O mesmo se precisar de um avião novo, afinal, quem já ouviu falar de um filme estrelado por um Embraer? Esqueça que na segunda metade dos anos 1970 nós conseguimos construir um computador totalmente nacional, sem um pitaco estrangeiro sequer, ainda que defasado na época, foi conquista de um país que então não recebia pelota nenhuma do primeiro mundo. Se é daqui, não presta e ponto, e humilhe publicamente quem discordar.
Entidades tradicionais devem ser esquecidas, servir apenas para cabide de empregos. O povo precisa perder totalmente a confiança em autarquias tidas como felizes exceções, em um país carente de bons serviços. Afinal, se o povo não confiar, não vai usar e o pessoal beneficiado terá que trabalhar (ainda) menos. Alardeie investimentos que jamais chegarão aos finalmentes, fazendo que que seja palavra contra palavra, quando a imprensa desmentir.
Soluções maravilhosas como trólebus não são essenciais, ao primeiro problema que um só der, terá o pretexto para desactivar ao menos a maioria. Nem pense em disseminar o meio de transporte pelo país, o povo ficaria orgulhoso de ser brasileiro. É para tirar quase todos das ruas e deixar o restante ser sucateado. Ferrovia? Não me faça rir. Alavancaria o país em três tempos e o povo passaria a gostar de ser brasileiro.
Aeromóvel? Nem pensar. Lembre-se, é invenção brasileira, então não presta. Além de ser muito simples e confiável, não geraria os problemas sérios de que precisamos. Deixe tudo o que nossos pesquisadores conseguiram sem apoio nenhum cair no esquecimento, para que algum estrangeiro consiga a patente por uma ninharia e se vanglorie, depois importe a "inovação".
Faça piadinhas impróprias e sem fundamentos, como chamar escancaradamente os portugueses de burros, dizendo diante das câmeras que eles não produzem nada e não têm senso de humor, ou ainda faça piadinhas de nazismo em solo alemão, é vergonha nacional garantida, principalmente se vier de uma pessoa pública. Nem precisa sair do país, na verdade, demonstre toda a tua ignorância dizendo que Cuiabá é a capital de Goiânia, prove toda a tua futilidade tecendo comentários sobre tribos indígenas e passagens de boiada no centro da cidade.
Aliás, louve a ignorância, não só a falta de diploma. Menospreze a philosophia, tratando-a como conversa de gente metida a besta. Fale palavrão diante das câmeras sem motivo algum, só para parecer descolado, macho, autêntico ou outra desculpa esfarrapada que estiver em voga. E como conhecimento e cultura são supérfluos, defenda menininhas mimadas que se prostituem por prazer e incentivam à prostituição. Afinal os trouxas que se aprimoram e trabalham sustentam tudo isto, já que não têm tempo para verem as asneiras que vocês fazem. Incentive seus filhos ao descaso com a educação, já que a escola é obrigada a passá-los de qualquer jeito mesmo.
Se um Secretário de Estado vier preparar a vinda do Chefe de Estado ou Governo, esnobe sem dó, nem olhe na cara. Diga que só fala com quem é do seu nível. Se for espectador, aplauda como se fosse uma demonstração de liberdade nacional perante o imperialismo estrangeiro junto à comunidade mundial ao nível de ideologia no contexto com gravura. Invente uma besteira qualquer, é preciso justificar o vexame para incentivá-lo.
Alimente estereótipos. Rio de Janeiro é bunda de fora, Salvador é preguiça, São Paulo só tem gente malcriada e arrogante, Porto Alegre é gente fria e insensível, Belém é terra de ninguém e o Brasil é só litoral. Rico e pobre não podem ser amigos, homem e mulher só podem ser amantes, quem não gosta de futebol não tem direito de ser homem e todo praticante de artes marciais é marginal. Mas tudo isto em público, é preciso disseminar a alienação em rede nacional, para que as pessoas passem a tomar tais cretinices como normais. Diga que meninas de quinze anos já têm bundão e peitão, então deve ser certo um homem maduro transar com elas, na verdade é obrigação do sujeito. Dane-se que suas cabecinhas ainda sejam de meninas, guie-se pelas aparências e por sua torpe capacidade de julgamento.
Proteste contra a ditadura que terminou já há um quarto de século, talvez tu nem tenhas nascido ainda, mas faça vistas grossas de o governo se aproximar de regimes totalitários sangrentos, depois saia por aí berrando palavras de ordem. Se tua praia for a de direita, tudo bem, faça exactamente o mesmo, só que trocando de lado, dará na mesma, fará a Pátria Mãe Gentil enfiar a cabeça no avental de vergonha. Tudo isto com divulgação, de preferência via internet, para o mundo inteiro ver o quanto brasileiro é idiota.
Chore de ansiedade pelos próximo elenco de algum reality show, quanto mais permissividade e baixaria melhor, mas não dê a mínima para os apelos de iniciativas nobres e sem fins lucrativos. Gaste os tubos com ligações para microphones de onde só sairá escatologia da pior origem, depois reclame que o governo não sustenta instituições de caridade, mas reclame xingando, senão não vale.
Por falar em governo, as eleições estão próximas. Reeleja quem já se viciou em mamatas, troque teus votos por um benefício qualquer, alicie toda a família em troca de um carguinho no tricentésimo escalão. Alegue que todo mundo faria o mesmo no teu lugar e dê os ombros para quem deveria receber a verba desviada, depois vá às câmeras defender o teu candidato, pois se ele afundar, te leva também.

Só mais uma cousa, para de ler este blog, ele é patriota até a medula.

 

PS.: Texto extraído do blog Palavra de Nanael, de cujo editor sou fã de carteirinha.

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3 comentários:

Gato Guga disse...

Não costumo ler artigos longos, mas este, por ser postado por New, fiz questão. Li lentamente para não ter de reler tudo.
É um texto bom de ser compartilhado mas a ignorância do povo impede que textos assim se gravem na mente.
Infelizmente aliás.
Sobre ser patriota, amaria poder vestir camisa amarela, gritar que sou brasileiro, criticar quem critica o governo etc, mas a realidade é como se mostra mesmo. Estamos em um belíssimo país, porém comandado por pessoas inescrupulosas desde o seu descobrimento e isso nunca será diferente.
Compro produtos de fora porque são de fato superiores e o brasil não incentiva em nada a mudança disso, pois governantes enviam milhares de soldados para ajudar o Haiti e emprestam 10 bilhões de reais ao fmi e para a tragédia anunciada em Niteroi, manda 40 cavadores de buracos e dá esmola de 200 mil. Eu sou brasileiro mas não por escolha. Bjs.

blog de jogos disse...

Boas eu passei por aqui para dizer que gostava que visitasses o meu blog blogdejogos-pt.blogspot.com se quiseres segue o meu blog eu ja to a seguir o teu obrigado

New disse...

Guguinha, obrigada pela atenção que tens aos posts que coloco aqui. Você é mesmo nota 1000, sem igual.
Este texto fiz questão de postar aqui no Xeret@, pois fala tudo e diz muito mais, além de ser de autoria de um amigo querido, de uma sensibilidade sem igual. Sem contar que, faça chuva ou faça sol, ele aparece no Esturdio deixando seus comentários super inteligentes. Como vê, sou afortunda pois tenho amigos (poucos em número) que encheriam qualquer Maracanã com tanto carinho que a mim dedicam. Você faz parte destes.

Obrigada mais uma vez.

Beijocas e lambidas deliciosas.

Postar um comentário

Xeretando, heim?
Ótimo. Seja sempre bem vindo e volte sempre, inclusive para ler o que respondi, aqui mesmo.